Ganha força no Governo do Estado, dentro das ações em prol da badalada mobilidade urbana, o projeto desenvolvido por técnicos da Conder que pretende construir em Salvador 217 quilômetros de ciclovias até a Copa de 2014. O objetivo seria transformar a capital baiana na segunda cidade com maior malha cicloviária na América Latina depois de Bogotá, capital da Colômbia e que também serve de meca para os defensores do BRT.
Um dos incentivos à implementação desse modal de transporte vem de uma pesquisa realizada entre ciclistas soteropolitanos que aponta como perfil principal dos usuários cotidianos de bicicleta homens com mais de 18 anos de idade e menos de três salários mínimos de renda. Com base na ampla aceitação desse veículo não-poluente e benéfico à saúde (restrições médicas feitas justamente ao público masculino), os técnicos do governo querem ampliar essa experiência a quase toda a cidade. Além de reduzir as emissões tóxicas e manter a população saudável, esse simpático veículo ajudaria a reduzir os engarrafamentos.
Às críticas iniciais quanto à insegurança para o uso das bicicletas, tanto na pesrpectiva de assaltos quanto na de disputa de espaço com motoristas de ônibus estressados e pouco preocupados com ciclistas, os técnicos respondem que as ciclovias estão sendo pensadas não para a Salvador atual, mas uma cidade que em 30 ou 40 anos terá, espera-se, características diferentes, o que incluiria mais respeito às bicicletas, como de alguma forma já acontece com a faixa de pedestres e o uso do cinto de segurança.
Contra a crença de que uma cidade com tantas ladeiras íngremes não pode ter nas ciclovias um modal expressivo, os defensores da Cidade Bicicleta apontam para os vales, onde as bicicletas fluiriam nos contornos de linhas de metrô e faixas exclusivas de ônibus.
Mas bastou uma rápida conversa com uma ciclista mulher, com mais de 18 anos (embora não aparente) e renda bem superior a três salários-mínimos para que aparecesse uma barreira às ciclovias (pensadas como meio de transporte e não de lazer). Salvador não é Bogotá, onde no verão a temperatura atinge um máximo de 20ºC e a altitude andina ajuda a refrescar qualquer exercício. Quem estaria disposto a pedalar até o trabalho sob o tradicional calor soteropolitano? O uso da bicicleta para quem precisa chegar à escola ou ao trabalho sem demasiado suor demandaria uma estrutura de chuveiros (em ambientes de trabalho e em bicicletários) além de mudas de roupa extras.
Investir em transporte público de qualidade e com tarifas justas talvez seja o caminho mais lógico para melhorar a mobilidade urbana. E ajudaria talvez os trabalhadores que se locomovem em bicicleta, por falta de condições de pagar a tarifa, a chegar ao trabalho sem suar tanto para ganhar o seu salário.
Publicado em 13/09/2011
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