Idosos devem ter prioridade para jogar na loteria?

Publicado em 09/06/2011

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Eu estava na fila da lotérica, em vias de ser atendido, quando senti um golpe suave no meu ombro direito. Olhei para trás e vi um homem idoso, com boné surrado e olhos verdes lacrimejantes, lutando para se apoiar em pé. Me pediu desculpas e disse que vive mareado. “Não sei para que jogo na loteria, tenho 89 anos. Para que eu ainda quero dinheiro?”, disparou antes que eu perguntasse porque ele não estava na fila preferencial. 

Não sei se ele desconhecia o seu direito estabelecido ou apenas foi mais esperto. Naquele momento eu era a única pessoa à sua frente e havia três caixas à disposição do público em geral. Na fila para idosos, gestantes e pessoas com deficiências físicas três pessoas com cabelos grisalhos faziam valer a sua prioridade.

Quando o primeiro caixa vagou, ofereci ao senhor o meu lugar e o vi caminhar com dificuldade até o guichê. Pouco antes, um homem também grisalho mas com menos anos havia entrado na lotérica apoiado em uma muleta e se dirigido diretamente a um caixa, não-preferencial, evitando a fila sem pedir licença.

O senhor de boné e olhos verdes lacrimejantes recebeu a sua aposta e se afastou do guichê acenando para mim e desejando-me boa sorte. De fato, não sei o quanto ele vai poder desfrutar do dinheiro caso seu bilhete seja premiado. Mas um homem de 89 anos tem sim o direito de tentar enriquecer ainda que lhe faltem poucos dias de vida.

A pergunta que eu gostaria de ter feito a esse senhor e não fiz era outra. Se uma pessoa idosa deveria ter atendimento preferencial para serviços que não são essenciais, como a loteria. Meu amigo do boné estava mais interessado em fazer uma aposta. Mas os outros grisalhos, na fila preferencial, provavelmente dão mais importância ao seu direito de ter um caixa preferencial do que ao atendimento rápido.

 

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Posted in: Comportamento